O Homem de Provérbios 32

Liege Leopoldo

3/13/20262 min read

photo of white staircase
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Um certo indivíduo no Brasil conseguiu o que nem a Seleção Brasileira dá conta em dezembro de 2025: unir o país. Famoso por seus comentários relacionais empacotados em pílulas vermelhas, o “princeso” virou ícone de projetos viris — até se envolver em um escândalo de violência contra a própria namorada, só porque ela se recusou a ter intimidade.

Sinceramente? Não sou do time que acha que seria vantagem nascer homem (também não acho desvantagem, só completa em mim mesma). A beleza de ser mulher está, entre outras coisas, na nossa menor propensão a vícios e, mesmo com crises hormonais, numa estabilidade emocional que, no saldo final, joga a nosso favor. Só por isso eu já acho sensacional ter nascido mulher.

Mas o tal do grupinho dos redpills… ah, esses conseguem fazer meus ouvidos cutucarem o estômago. De verdade, eu sou mais do vermelho no batom e no esmalte combinando.

Historicamente, a relação entre homens e mulheres sempre teve suas sombras, claro. Mas, em linhas gerais, esperava-se que a força masculina tivesse como propósito proteger, sustentar e orientar. Mesmo quando a prática tropeçava, a teoria ancestral deixava isso bem desenhado. Basta ler os primeiros trinta capítulos de Provérbios: ali, o homem é instruído a evitar a promiscuidade, construir um lar, guardá-lo, prover, educar os filhos e manter um compromisso sério com a própria palavra.

Então vieram os princesos. Inventaram o “Homem de Provérbios 32” — algo mais do que apócrifo; francamente, uma heresia que faria Salomão (e suas mil mulheres) revirarem no túmulo. E, olha, conseguiram o impensável: uniram feministas e direitistas. Um feito histórico. Palmas lentas.

O Homem de Provérbios 32 é másculo na pose, mas sem nenhuma fibra moral. Nunca pretende ser marido — e sua mulher sente falta de tudo. Ele só faz o mal. Nunca o bem. Todos os dias de sua vida.

A porta da boca está sempre destravada. O coração? Trancado a sete chaves enferrujadas.

Capricha no look. Passa horas no videogame com os amigos. Como um navio pirata, saqueia as provisões familiares e afunda a paz de todos. Antes de clarear o dia, ele se deita. Pede delivery. Afoga-se em dopamina barata. Mas, olha, ele sabe como viver a vida.

Reveste-se de cinismo e falsa modéstia. Debocha diante da maturidade. Fala com malícia. Ensina com vaidade. Cuida dos próprios negócios. Nunca dos da própria casa.

Os seus caminhos são tortos… mas não por perseguição: é pura preguiça mesmo.
Seus filhos imploram por atenção e pensão.
Os bíceps torneados na academia são passageiros, mas ele está convicto que será cobiçado até os 90 anos.

A recompensa dele virá: não em forma de elogios, mas com ares apocalípticos. Afinal, é assim que entram para os anais da história aqueles que fazem do egoísmo e megalomania sua força motriz.